terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dia 01/11/2010

01/11/2010

Ontem ainda estivemos em conversa com o guarda do condomínio até às 24.h dentro da enorme tenda marroquina, è um rapaz desportista que conhece toda a nossa selecção de futebol e os nomes dos jogadores do Glorioso SLB.

Esta manhã ao acordar é que tivemos a noção do tamanho do local onde pernoitámos, é assim uma coisa fora do normal, equivalente a uns 10 campos de futebol.

Foi hora de verificar água e óleo das máquinas, pagar e fazermo-nos à estrada, são 07.00 da Manhã e temos mais 400km para fazer.

Ao sair do condomínio, dirigimo-nos a uma bomba de gasolina a fim de tomar o pequeno-almoço, uns croissants, sumos e cafés. 15 DH a cada pessoa mais ou menos 1,5€.

Ao sair em direcção à floresta dos cedros estavam a abastecer varias motas Honda Wing da Policia, às quais olhamos mas não ligámos muita importância.

Ao subir à montanha em direcção à floresta dos cedros entrámos para o seu interior e passados uns 5 ou 6 km encontrámos vários macacos a trepar os cedros.

O nosso instinto foi de parar e tirar fotos e quando o estávamos a fazer apareceu uma rapariga de braços no ar a chamar por nós.

Ao ver-mos a rapariga, pensámos que seria uma guarda local a informar-nos que não poderíamos estar ali, mas estávamos enganados, era uma portuguesa, de Vila Boim (Elvas) que estava ali a trabalhar no estudo de primatas, uma grande coincidência, pois alem de não ser normal ver-se portugueses nestas bandas.

Chamava-se Sofia e não via portugueses há 8 meses .

O Alacráu apresentou-se e foi ter com a rapariga para lhe dar 2 beijos e tirar umas fotos com a menina.

Depois das fotos dos primatas, decidimos Fazer-nos à estrada para mais uns km.

Passado algum tempo decidimos entrar nuns trilhos de terra batida e ir à descoberta do terreno, foi simplesmente lindo o percurso, pelo meio da floresta, pelo meio dos imponentes cedros e pelo meio do barro que também existe em Marrocos ao contrário de que muita gente pensa.

Foram 20 km por trilhos que só devem ter sido utilizados por marroquinos. Encontrámos algumas famílias com crianças a quem entregámos varias t-Shirts, uns pares de botas, brinquedos e material escolar, faziam 3 graus e dava pena ver os miudinhos naqueles sítios sem condições habitacionais e higiénicas.

Retomámos a estrada de alcatrão e mais 10 km estávamos perto de mais outro trilho. Não era esse o nosso objectivo mas lá decidimos fazer esse caminho.

No entanto antes da decisão estivemos a beber umas cervejas e o Fininho teve um ataque de “Caspa” e partiu a máquina fotográfica contra o chão, estava desvendado mais um segredo da casa dos segredos. (É segredo).

Fizemo-nos ao caminho, um trilho não imaginado por nós, uma coisa assim imaginável, sem explicação, fenomenal.

Circular por dentro de uma floresta cerrada de cedros cerca de 70km em terreno de pedra e barro, no interior de Marrocos é assim fora de serie.

Muitas fotos, lindas paisagens sempre em excelente companhia, uma beleza extraordinária.

A meio do caminho decidimos ir para o barro, eu no meu Range fui o primeiro a atascar-me, e lá foi o pinhão com o guincho buscar-me.

Ao largo estavam os Belgas, atascados até ao nó, mas mesmo até ao nó, só visto.

O Cardoso e o Caetano foram socorrer os rapazes e o restante pessoal foi para o cimo do cerro tirar fotos.

No entanto a demora foi tanta que nos dirigimos ao lical para ver o que se passava.

Não haviam condições para retirar o Toyota do local, os jipes a puxar com o guincho iam em direcção ao atascado.

Passados alguns instantes pedi ao Bruno o Belga para ir para o lugar dele, pois o KIT de unhas dele não estava muito apurado.

O pinhão puxou o carro eu fiz marcha atrás e lá tirámos o jipe do atasqueiro, mas o motor estava a falhar e a fazer um fumo branco, ainda tentei fazer ½ dúzia de peões mas não me safei porque estava mesmo muito mau mecanicamente.

Entrámos em estradão novamente e ao fim de 20 km almoçamos no meio da floresta, e o Toyota sempre a falhar.

Durante o almoço, inevitavelmente apareceram mais uns quantos marroquinos que nos pediram tabaco e bebida.

Depois do almoço regressámos ao alcatrão mas fizemos mais 50 km onde encontrámos mais famílias e lá distribuímos mais t-shirts das 200 que trouxemos.

Ao chegar ao alcatrão, o veículo dos Belgas estava a falhar novamente, abrimos o capot, vimos o que se passava não chegámos a conclusão nenhuma e fui experimentar o mesmo para ver o como estava, não estava nada bom.

Apareceram 2 Marroquinos, um professor e um director da escola local que se apresentaram e com os quais estivemos a conversar um pouco.

Viemos a saber que o ordenado de um professor é equivalente a Portugal ou seja 800€.

Distribuímos umas chuchas e brinquedos pelas crianças e bebés locais e seguimos para ER RACHIDIA onde chegámos muito de noite e pernoitamos.

Até ER RACHIDIA encontrámos cerca de uma centena de polícias espalhados um pouco por todo o lado, muitas, mas muitas pessoas na estrada e as tais Honda Goldwing da Policia com os pirilampos ligados, numa pequena localidade onde comprámos pão foi-nos dito que aquele aparato todo devia-se à passagem do Rei Mohamed V pela zona, facto que viemos a confirmar mais à frente com a passagem por a sua caravana.

Negociámos o preço do quarto do hotel e ficou em 100 Dirham ou seja cerca de 10€ cada pessoa.

Fechámos o negócio e fizemos as nossas refeições no corredor do hotel El Golla, uma coisa nunca vista, à filme.

Eram 02.00h quando o pessoal se foi deitar e dormir, pois haviam mais 150km até ao deserto para fazer no outro dia.

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