30 de Outubro de 2010
Chegou o grande dia, às 09.00, hora combinada lá nos encontrámos na Praça da Republica, mas como sempre existem atrásos e imprevistos a saída aconteceu às 09.45h.
O nosso amigo Zé só esteve presente para a foto, mas como tinha um casamento arrancou mais tarde.
Depois de sair de Beja a cerca de 10 km um dos presentes verificou que a sua carteira não se encontrava consigo, pois teria perdido a mesma e esta continha os documentos necessários para a expedição.
Lá voltou para trás e encontrou-a na bomba de gasolina. Um alívio.
Passados mais uns 30 minutos arrancámos em direcção a Algeciras.
Viagem feita a uma velocidade de 80/90 km h, sem stress. Algumas paragens para comer e esticar as pernas.
Eram 16.00 tínhamos 400 km feitos e estávamos no destino do dia.
Dirigimo-nos ao ponto de venda de bilhetes onde já teríamos a reserva e foi-nos dada a noticia que o barco para Tanger Med só partiria na 3ª feira, mas em conversa com a Sr.ª da recepção conseguiu os alterar o barco para Ceuta que partiria às 07.30. No entanto perguntámos logo se era possível alterar para a data de hoje e a Sr.ª disse-nos que sim mas para as 22.30.
Ligámos para o Zé a perguntar onde vinha, disse-nos que a cerca de 100 km do destino e decidimos por unanimidade alterar a data de entrada em Marrocos para hoje 30/10.
Até chegar o nosso companheiro decidimos ir armar a tenda para petiscar, e assim foi dirigimo-nos para uma praia onde existia um parque de estacionamento, fizemos uma muralha com os veículos e colocámos um pano grande por causa da chuva, mais 2 mesas e umas cadeiras. Assamos linguiça, comemos queijo e uns paios e onde bebemos um vinhito tinto do Cardoso.
Um bom bocado passado onde tivemos a visita de um Sr. de meia idade Inglês que ainda bebemos um copo com ele e dissemos umas bacoradas e rimo-nos à brava.
Ligou o Zé a dizer que tinha chegado, levantámos ferro e fomos ter com ele a um sítio combinado.
Lá nos encontrámos e decidimos ir beber um café as bombas da Repsol mais próximas.
O Zé e o Idalécio ainda não tinham comido, estivaram de posse da comida e nós a beber café.
No fim da cafézada pelas 20.00h estivemos todos na palheta e a ouvir umas músicas, onde até o Pinhão dedicou o Chico Fininho do rui Veloso ao nosso Pedro (fininho).
A definição que faço de Algeciras, o local onde é o Porto de embarque é apenas a de ser um dos lugares com mais (mafiosos) que conheci nos últimos tempos, só gente a pedir para comprar bilhetes sem ser nos pontos de venda, pessoas estranhas nos parques, enfim uma coisa muito esquisita.
Aguardamos as 22.30 para passar o barco para Ceuta.
São 22.30 os jipes estão no barco e nós estamos sentados nas belas poltronas a beber uma cervejinha a 2.5€ cada.
Chegados a Ceuta foi hora de rumar a Marrocos e entrar na alfândega.
Centenas de Marroquinos a entrar e sair da fronteira e montes de miúdos a pedir comida e etc. …
Assim que parámos as viaturas para aduanar, fomos interceptados por vários indivíduos a querer preencher a papelada, recolhi os passaportes todos e decidimos entregar a um rapaz novo que imediatamente preencheu os 10 formulários, preço deste serviço 10 foi o que lhe demos.
Passamos então aos carimbos dos passaportes onde no fim de os carimbar o agente da alfândega pediu 5€ para beber um café para além das 2 t-shirts que já lhe tínhamos dado.
Como já era tarde cerca de meia-noite não houve grande stress uma vez que eram poucos carros a entrar na fronteira, passámos pelos guardas que ainda nos fizeram abrir as portas e lá entrámos em Marrocos.
1º Objectivo em Marrocos – METER GASÓLEO a 70 cêntimos.
Os GR atestaram e o Zé Caetano porque tinha vindo rápido ter connosco e seguimos em direcção a Chefchauen onde chegámos cerca das 2 da manhã hora portuguesa.
Tínhamos 600 km no bucho e era hora de aparcar.
As curvas e as condições do clima eram muito más mas conseguimos superar.
Lá encontrámos o parque de campismo no cu de judas, e fomos montar as tendas. Chovia a cântaros, mas mesmo muito. As tendas eram de montagem rápida e depressa o fizemos.
Houve pessoal que nem se deu a esse trabalho e dormiu dentro dos carros vencidos pelo cansaço.
Ainda houve tempo para fazer aquecer umas coisas para comer e depois dormir.
Deitámos nos às 02.30h e choveu tanto, mas tanto que parecia um dilúvio e assim continuou até nos levantarmos às 06.00 para seguir a sul.
31-10-2010
Dia de pagar o parque de campismo e seguir, o Alacráu foi pagar e foram 350 dinares, cerca de 35 € para 10 pessoas e 5 carros, nada mau.
Demos uma volta por Chefchauen mas as condições do clima eram tão más que quase não vimos nada com jeito.
Ainda tivemos tempo para parar numa pastelaria com bom jeito e comer uns croissants e beber uns cafezitos, pequeno-almoço Sumo, croissant e café 17 dinares, cerca de 1.5€
Lá seguimos em direcção a Maknes e parámos para isolar o tecto de abrir do carro do fininho que metia agua, e lá se resolveu a questão com fita americana.
Ainda oferecemos umas t-shirts a algumas pessoas que iam passando nos seus burros mas muitos deles não quiseram por desconfiança, mas também nos vieram oferecer umas coisas daquelas que fazem rir, uma bola do tamanho de uma moeda de 2 € por 20 dinares cerca de 2€. Não comprámos obrigado.
Já de saída, encontrámos 2 rapazes Belgas num Toyota de competição que andavam em testes, apresentámo-nos e quiseram acompanhar-nos nos próximos dias, a caravana aumentou para 6 carros.
Chegou a hora de colocar gasóleo, 70 litros 700km uma boa média para o range.
O pinhão e o Fininho comeram uma coisa tipo umas bifanas que tinham bom aspecto e também os marroquinos estavam a fazer uns pratos com tomate e etc.
Ao olhar para o mapa verificámos que existia um trilho a 15 km por terra batida, e decidimos fazer o mesmo sem sequer pensar duas vezes.
30 Ou 40 km depois entrámos novamente em alcatrão e seguimos mais 150 km até Azrou, mas com paragem para almoço no meio do nada, onde apareceram varias crianças às quais demos t-shirts e estojos com canetas e cadernos
O mais incrível que vi neste dia foi o enorme número de pessoas à beira da estrada, são centenas e centenas delas por todo o lado.
Vi também um talho na rua com os cabritos pendurados onde se a A.S.A.E lá fosse não estava aberto
Chegámos Azrou às 17.00 com mais 400km andados e a noite estava cerrada, à procura do camping lá o encontrámos, um empreendimento novo pertencente a ABU DABHI que é colossal, é um castelo com habitações. Pediram-nos 7€ por noite por pessoa para acampar ou 15€ para ficar em apartamento, obvio que escolhemos o quarto, pois só o duche vale o dinheiro.
O responsável pelo parque é Marroquino mas esteve uns anos valentes nos estados unidos, e o inglês dele é óptimo. Foi muito amável e deixou-nos jantar na tenda do CHEFE, uma enorme tenda marroquina com todo o conforto.
Neste momento escrevo estas palavras e os meus companheiros estão à minha espera para bebermos mais uns tintos e depois é para dormir, que amanhã temos mais 400km pela frente até ao Deserto…
As saudades apertam e ainda agora sai.
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