segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Como vejo Marrocos

Marrocos é um pais com uma vasta cultura que fascina quem visita.

As pessoas são afáveis e atenciosas e ajudam no que lhes for possível, mas também são muito voltadas para os pedidos de dinheiro, qualquer ajuda que dão pedem sempre meia dúzia de DH.

A entrada no pais é o mais moroso, tem que se preencher o documento verde (documento de entrada do veiculo) que pode ser preenchido na net antes de ir, preenche-se também o documento de entrada da pessoa com o nome, morada, passaporte e tempo que se vai lá ficar e é só carimbar o passaporte e seguir viagem.

Os caminhos são bons, existem estradas de alcatrão de norte a sul de Marrocos e muitas pistas de terra para os amantes do todo terreno.

Apanha-se barro, terra, pedra e muita areia.

Existem três locais para se visitar obrigatoriamente, A Floresta dos Cedros, Erg Chebi (Dunas) e o Atlas que é montanha, três locais distintos mas todos eles com uma beleza extraordinária.

Não é um pais com corrupção ao contrário do que se pense, está bem controlado pelas forças policiais onde fazem muitas operações STOP.

1 Euro vale cerca de 11DH e os preços em Marrocos são bons e quase todos negociáveis.

Compra-se comida e bebida em todo o lado, o gasóleo está a 0.75 cêntimos o que é um excelente preço comparado com o nosso.

Arranja-se hotéis desde 10€ até 35€ dependendo do que se quer, sendo que os de 35€ têm Jantar e pequeno-almoço incluído.

Existe diferenças populacionais e diversas culturas, existe pobreza e riqueza, vimos carros de burros e Porsche, dependendo da zona.

Nas cidades rurais as pessoas andam tapadas até aos pés, por exemplo em Marrakeche parecem europeus, tudo na desportiva.

Uma cidade pequena pode ter 2500 habitantes e no interior vivem quase exclusivamente da indústria e agricultura e antigamente das minas.

Marrocos é um pais que poderá ter um enorme desenvolvimento, a plantação de olival já começou e são muitos os campos que estão a ser modificados para o efeito.

O ordenado médio é de 400€, ganhando um professor cerca de 800€ mês assim como um polícia (nada mau).

A população Marroquina é muito vasta e não se impressionem quando virem chegar pessoas do meio do nada, parece que saem das pedras.

Há muito local onde ficar, muito hotel, campismo, muito restaurante e muitos cafés.

Os cuidados médicos são bons para o local, e a atenção prestada pelos profissionais de saúde é excelente.

Não se trata de um pais perigoso, antes pelo contrário é muito fácil de se andar e não mostra perigo.

Há bombas de combustivel em todo o Pais

domingo, 7 de novembro de 2010

07/11/2010 - O regresso a casa

O levantar foi às 05.30 e a saida do hotel ás 06.15.
Fomos para o porto de tanger, onde não perdemos tempo com os bilhetes do barco uma vez que já os teriamos comprado antes de iniciar a viagem.
Passei à aduana para desanexar o meu jipe o que foibastante simples, pois apenas olharam para o papel e carimbaram-me o passaporte.
Passaram todas as viaturas por um scaner e entrámos para o barco.
Passados 45 minutos estavamos na Europa e a viagem africana teria terminado.
Tinhamos 400km para fazer até Beja, o que fizemos quase de seguida e a uma velocidade mais rapida que o normal, pois as saudades apertavam e o tempo era curto.
Chegámos são e salvos pelas 15.30h onde tinhamos uma recepção dos verdadeiros amigos que se preocuparam connosco durante a viagem.
Foi hora de descarregar os veiculos e regressar a casa. Qualquer dia há mais.

06/11/2010

O dia de hoje começou cedinho, pois tinhamos muitos km pela frente para fazer, cerca de 800.
Depois de tomar o pequeno almoço no hotel saimos em direcção ao Alto Atlas onde subimos a cerca de 2300m de altitude, a paisagem é qualquer coisa de deslumbrante, muitas montanhas, muitas curvas e no pico mais alto ainda existia neve.
Parámos algumas vezes para comprar umas coisas para trazer e tambem para distribuir o resto das 200 t-shirts que levámos.
O almoço foi no meio da cerra junto a um riacho com agua muito limpida.
Durante a viagem até Marrakeche vimos muitos mas muitos veiculos que por ali faziam km e km de serra, entre esses carros cerca de 10 Hummer todos da mesma empresa de origem alemã.
Em Marrakecke entrámos na auto estarda, mas antes disso ainda tivémos tempo para apreciar as ruas da cidade que atravessámos de uma ponta a outra.
A entrada na cidade é escura, muita gente a vender na rua parecendo uma concentração nomada.
Depois de se entrar nas "muralhas" a coisa muda, parece uma cidade europeia, cheia de grandes maquinas, pesoas muito bem vestidas e uma imensidão de perder de vista.
Estadios novos, contrução nova, stand, bem de tudo um pouco.
Apanhámos a auto estarda para norte e parámos a cerca de 50km para comer novamente, desta feita numa estação de serviço uns hamburguers com um optimo aspecto mas sem sal, o que tivémos de colocar à parte.
Saimos dali com o intuito de chegar ainda a tempo de apanhar o barco para passar para espanha, mas após uma informação sobre os horários com uma pessoa amiga, vim a saber que o ultimo barco era às 22 e já não tinha-mos tempo.
Apenas fizemos km de estrada sem parar e ainda ao lusco fusco vimos a cidade de CASABLANCA o que nos fez lembrar logo o filme de Michael Curtiz realizado em 1942 com a participação de Humphrey Bogart, pois é um nome que nos fica no ouvido.
Algum tempo depois passavamos a capital RABAT que tambem deve ser enorme, digo tambem porque só vimos as luzes da cidade e pouco mais.
Antes de sair da auto estrada, parámos para jantar e abastecer as viaturas numa estação de serviço.
A auto estrada de Marrakeche até Tanger custa 100 DH o equivalente a 10€, sendo que só existem 2 classes de portagem, os veiculos ligeiros e pesados.
O sono era enorme e a vontade de conduzir era pouca, parámos num hotel à beira da estada perto já de Tanger e arranjamos 2 quartos de 5 pessoas a 10€ por pessoa. Tinha bom aspecto e decidimos ficar a descançar.
A noite iria passar depressa, pois deitamonos às 24 e teriamos de nos lemantar às 05.30 para apanhar o barco.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

05/11/2010

05/11/2010

O dia de hoje para mim foi resumido a tratar apenas dos papéis para a minha saída de Marrocos sem a viatura.

Às 08.00h da manhã encontrámo-nos no lobby do hotel e fomos para a oficina do Gordito, para substituir os apoios da caixa de transferências do jipe do Zé Caetano.

Já na oficina e a aguardar as peças do veículo, tomámos o pequeno-almoço, mesmo em cima do capot do jipe, paio, presunto, pão, leite e etc…

Como se estava a fazer tarde e eu tinha de estar em Ouazazane às 13.00h decidimos arrancar e deixar o Zé e o Cardoso em Zagora até terminarem o serviço, pois mais tarde nos haveríamos de encontrar no nosso destino.

Seguimos até Ouazazane pela estrada nacional onde ao lado se encontra um enorme palmeiral durante cerca de 150km, uma loucura de árvores.

Atravessámos o vale do DRÁ que é digno de ser visto por todos quanto visitam Marrocos.

Depois de chegar ao nosso destino do dia e às 13.00h estávamos à porta da agência que estava a tratar da documentação.

Não havia nada ainda tratado e decidimos ir às compras e comer qualquer coisa.

Comprámos umas coisas no centro da cidade de Ouzazane que para mim é a mais limpa e moderna de todas as que temos visto até agora, também porque tem cerca de 10000 habitantes e muitos turistas.

Almoçamos no hotel onde iremos pernoitar e almoçamos umas espetadas de peru com uma salada maravilhosa, onde pagámos cerca de 11€ por pessoa.

Às 17.00 estávamos novamente à porta da agência, onde nos disseram que o veículo já se encontraria em El Rachidia onde iria ser verificado e depois me poderem dar o ok para eu poder sair.

Só as 18.30h tive o visto para poder deixar Marrocos sem viatura, o que se tornou o momento mais feliz da minha viagem a este pais, pois já pensava que teria de vir para cá morar

Os procedimentos não são difíceis, apenas as pessoas que os trabalham as tornam complicadas.

Entretanto pelo telefone viemos a saber que o resto de pessoal que teria ficado para trás se teria divertido muitíssimo, pois apanharam água para passar com os carros e é disso que a malta gosta.

Já com os documentos em minha posse, voltei com Mobarak ao hotel onde iremos pernoitar para tomar duche e jantar e depois aproveitar a noite, pois amanhã temos 1000km pela frente até Espanha.

Graças a mobarak tudo se resolveu e só lhe tenho é que agradecer do fundo do coração.

Vamos ver agora como corre a passagem na fronteira.

04/11/2010

04/11/2010

Levantei-me com um pouco de dores lombares mas nada de grave, dirigi-me ao atrium do albergue onde estavam todo a ler o mapa, pois já tinham tomado o pequeno-almoço.

O albergue do Mobarak é no deserto e tem uma vista linda para as dunas e para a montanha que faz a fronteira com a Argelia. Aconselho vivamente a quem cá vier que fique neste sítio que é lindo.

O pessoal ia aproveitar as dunas na parte da manhã e eu mais o Fininho e o Mobarak iríamos a Erfoud tratar dos papéis para desanexar o carro do meu passaporte, só assim poderia sair de Marrocos.

E assim foi, rumámos a Erfoud, pela estrada de Rissani onde vimos centenas de Marroquinos de bicicleta, parecia a concentração de Faro mas sem motor. Após um grande jogo de desvios e travagens chegámos ao pé do Range, parecia ainda mais amolgado que no dia anterior, fomos verificar o carro com o dono da estação de serviço e reparei que faltava a bateria do carro, obvio que me passei da cabeça e tive de discutir com eles. Mobarak deu-me a razão mas não ganhamos nada com isso, pois o mafioso do motorista quando foi buscar o carro pediu-me 10€ eu não lhe dei e ele fez o que fez e ainda por cima assinei o papel que ele levar o carro e o artista colocou lá que a bateria não estava.

Demorei 2 horas a resolver uma situação que em Portugal se resolveria em 20 minutos, mas são burocracias do pais, mas não ficou resolvido, antes pelo contrário só posso resolver amanhã porque o carro tem de ser levado para Ouarzazate e só lá me podem desbloquear a situação, vamos ver se fica resolvido ou se me tenho de mudar para Marrocos.

Voltámos ao albergue onde chegaram os restantes elementos do grupo que tinham vindo das dunas e estavam muito felizes, ainda bem que assim foi.

Almoçamos mais uns enlatados, tomei os medicamentos e o Pinhão fez-me o penso, tem jeito de enfermeiro o rapaz.

Deixámos Merzouga em direcção a Zagoura onde iremos pernoitar e o Mobarak

São neste momento 16.15 e daqui as mais umas 2 horas deveremos lá chegar.

A viagem foi porreira, nas calmas,encontrámos um casamento a meio onde havia uma enorme confusão de pessoas na rua.

Devido ao sol , parámos no caminho para não nos encandearmos e vimos um lindo por do sol este não nas dunas mas no deserto.

Chegámos a Zagora já de noite e ainda fomos ao El Gordito lavar as viaturas e lubrificar, mas apenas o Cardoso lá ficou , pois teriamos de arranjar o local para ficar.

Fomos ter a um Camping muito engraçado onde havia musica ao vivo e uns bangalous , mas decidimos não ficar uma vez que as condições de higiene não eram as melhores.

Arranjámos então um hotel, o ZAGOR onde aceitámos pernoitar por 150DH , cerca de 15€.

O Jantar foi no quintal hotel junto da piscina, para variar enlatados e fomos novamente ao Gordito para lavar os restantes carros.

Ainda houve tempo para comprar umas bugigangas já perto da uma da manhã numa loja local.

Regresso ao hotel e dormir, pois amanhã mais 400km pela frente

03/11/2010 o dia do azar

03/11/2010

O dia começou pelas 09.00, onde tomamos o pequeno-almoço berebere e nos fizemos à estrada para ir colocar gasóleo a Erfoud pelos estradões e depois para as dunas.

Teria sido um dia divertido como os outros não fosse ter acontecido o que aconteceu, mas isso explico mais à frente.

Chegámos a Erfoud pelas 10.00 onde atestámos as maquinas e tomámos café e também se levantou dinheiro.

O 1º Azar do dia foi o Fininho que ao levantar dinheiro a maquina lhe reteu o cartão. Mal menor uma vez que entrámos no banco e lhe deram o cartão novamente e no outro dia já podia levantar o valor pretendido.

Tudo atestado, hora de ir ao almoço. Tivemos tempo ainda de ir a um morro ver a panorâmica de Erfoud que é uma cidade já a sul de Marrocos onde existe de tudo um pouco. Uma vista soberba com uma imensidão de palmeiras fora do normal e um som que se faz ouvir por vários km, som esse proveniente das rezas feitas pelos muçulmanos que são difundidas por enormes megafones.

O almoço foi num kasbha de fosseis, pois esta zona é muito rica em fosseis. O dono é conhecido pelo nome de Dinossauro e tem um Defender de 9 lugares que utiliza para fazer passeios pelas dunas com os turistas.

Almoço pronto, hora de sentar e comer, para variar uns enlatados, não sei porquê decidi beber Ice Tea, o que não tem sido normal nesta viagem, pois tomamos sempre um copinho de vinho sem exageros.

Hora de ir para as dunas, ao nos dirigir para lá o inevitável aconteceu, apesar dos azares todos que já tinham acontecido, como a perda da carteira do Pinhão, a avaria do meu PC, os 3 pneus que o fininho descolou no dia anterior, o cartão retido e outras pequenas coisas, o azar maior chegou, não acredito em bruxas mas que as há, isso há.

Numa curva apertada, o Range resvalou e capotei, um acidente aparatoso sem consequências de maior para mim e para o João, bem como Mobarak que nos vinha a fazer de guia.

A velocidade que trazia não era elevada por isso só demos uma volta, mas foi o suficiente para que o Range ficasse feito num bolo, parecia ter sido amarrotado por um gigante.

Os nossos companheiros de viagem seguiram a correr em direcção ao carro para ver se estava tudo bem, eu já o tinha feito pois tinha-me assegurado que João e Mobarak estariam bem.

A minha perna estava a deitar muito sangue e o golpe parecia fundo, cerca de 15 cm de cumprimento.

Tive a consciência que a viagem desse dia terminaria ali e que os meus amigos deixariam de ir para as dunas por minha causa, mas são coisas que acontecem e não podemos fazer nada.

Fui de imediato para o posto médico de Erfoud com o Pinhão, o João e Mobarak, onde posso dizer que fui muito bem atendido e imediatamente. Um medico e um enfermeiro cuidaram de mim e do João, Mobarak não precisou de cuidados, pois é um homem franzino e o capotanço não lhe fez mazelas e também seria o seu 3º acidente deste tipo.

Entrei na sala de tratamentos, deram-me a anestesia e começaram a cozer-me de imediato, facto que deixou o Pinhão perturbado, pois pensou que me estariam a aleijar o que de facto não aconteceu.

Estava tão exaltado que o médico meteu-o na rua J . Após ser cozido fui medir a tensão e estava a 10/8, colocaram-me logo a soro. No entanto após isso fiz um RX ao joelho mas não acusou nada, apenas foi para descargo de consciência. Mandaram-me comprar uma injecção anti tetânica para me administrarem e mais uma carrada de medicamentos.

Paguei nas urgências 60 DH o equivalente a 6€, mas um serviço muito bom. O João levou 2 pontos e eu 10, fiquei com uma costura que parece a antiga estrada de Monte Gordo, só curvas e buracos, mas ficou sexy hehehe.

A essa hora já o Cardoso teria ligado para a assistência em viagem que prontamente mandou o reboque.

Cheguei ao pé do carro já era quase noite e o frio começou a apertar, pois no deserto de dia calor à noite frio, muito frio e estávamos no meio do nada, mas mesmo assim apareceu um rebanho de Marroquinos vindos do nada, não sei de onde vem tanta gente.

Mobarak queria comprar-me o Range, mas o artista do reboque tirou-lhe essa ideia da cabeça uma vez que depois não me deixavam passar a fronteira, mas mesmo assim não desistiu da ideia e disse-me que arranjava os documentos para deixar o carro. Não chegámos a fazer negócio, mas a minha vontade era deixar o carro cá.

Para que quem pensa que Marrocos é um pais sem evolução pode estar enganado, pois todos os putos têm telemóvel, aparecem perto de nós com portáteis ligados à Net e muitas outras coisas. Só para verem, ontem em pleno deserto Mobarak mandou um rapaz numa motorizada comprar um cartão para o telemóvel e o mesmo não levou 5 minutos a ir a uma barraca no meio do nada, só visto.

Retirámos uns 60 litros de Gasóleo do interior do Range e foi carregado para cima do reboque, uma imagem desoladora de quem vê partir um companheiro de viagem e saber que não nos viríamos a encontrar nestas andanças devido ao seu estado.

A maquina fotográfica também se partiu mas esta deverá ter arranjo.

Mas enfim antes isso que uma perna partida ou outra coisa pior, latas há muitas.

Regressamos ao Albergue de Takojt, pertencente ao nosso amigo Maborak e fomos jantar um Couscous, prato típico BEREBERE que faz lembrar um cozido, mas leva uma farinha muito boa.

Estive com o pessoal e decidi ir deitar-me para descansar um pouco, pois na noite anterior teria ficado sozinho até às 2 da manhã a ver as estrela no céu do deserto, mas eles ainda ficaram a tocar tambor e a beber uns copos e deu tempo ainda para embebedarem Joseph um marroquino que não está habituado a estas andanças e que se gregoriou todo.

O dia terminava ali e apenas posso pedir desculpa aos meus companheiros de viagem por lhes ter estragado alguma coisa.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

02/11/2010 - Já no DESERTO





































02/11/2010









Acordámos às 05.30 da manhã, o duche estava sem pressão e quase não nos lavámos. O Sol nasce com uma intensidade enorme e temos que nos fazer à estrada o mais rápido possível.









Ainda foi tempo de o Zé ensinar umas palavras em Português a um gasolineiro Marroquino e palavras essas muito lindas hehehehe, foi uma barrigada de rir.









A meio do caminho em Oases de jorf foi tempo para uma paragem, para tomar um chã de hortelã com mel e tirar umas fotos ao palmeiral, é um local magnífico.









Dirigimo-nos a Midelt onde deixámos os nossos amigos Belgas que ficaram a arranjar a viatura e talvez depois virão ter connosco a Zagora.









No caminho, o João comentou comigo e com razão, os Marroquinos são pessoas que vivem única e exclusivamente para o seu Deus e são capazes de morrer por isso.









Seguimos mais uns 30 km e decidimos sair de estrada para apanhar uma paralela até Merzouga em estradão, e foi até deixar de ver mesmo alcatrão, alguns km à frente encontrámos finalmente as dunas eram 9.28h da manhã, uma imagem que fica na retina até ao fim das nossas vidas.









Parámos varias vezes para tirar as fotos e para brincar um pouco nas pequenas dunas como se fossemos crianças a brincar com a areia da praia.









Já no perto de Merzouga passamos num albergue e avistámos no quintal um Mitsubishi de competição, obvio que entrámos logo por ali dentro e ver o que se passava, era o Nani Roma mais um Piloto Brasileiro que vai este ano fazer o Dakar no Mitsubishi que estavam aqui para fazer testes.









Descemo-nos dos veículos, e eu dirigi-me ao Nani para o cumprimentar e os meus companheiros fizeram a mesma coisa, estivemos a conversar um pouco, pois afinal ele é meu colega, ambos somos pilotos, mas tal como ele me disse o meu carro tem muitos cavalos mas são todos velhos e sem dentes, o que gerou uma rizada geral.









Perguntei-lhe se seria possível colar um autocolante do TTBAVENTURA no Mitsu e ele respondeu imediatamente que sim e para o deixar estar.









Colei o autocolante, tiramos umas fotos juntas, outras com o carro e vimos a máquina ao pormenor.









Despedimo-nos dele e seguimos em direcção ao albergue do Mobarek o qual nos tinha sido recomendado pela malta dos jipes do Algarve.









Chegámos ao interior da aldeia e ac crianças jogavam-se para a frente do carro e tínhamos que parar, mas dirigiu-se um rapaz de cerca de 30 anos aos carros a falar bem Português a quem perguntámos pelo albergue. Foi muito amável e foi connosco ao local.









Um local espectacular como as 1001 noites dos filmes. Esperámos um pouco por Mobarek para saber os preços e entretanto bebemos mais um chá fez-nos 35€ por pessoa com dormida, Jantar e pequeno-almoço. Decidimos ficar 2 noites.









Tivemos apenas tempo de tirar as coisas dos carros e seguir para as tão desejadas dunas de Erg Chebi.









Antes de ir ainda tive de colocar gasóleo no jipe e o fininho também, fomos a uma casa improvisada que vende gasóleo em garrafões de 5 litros, parecia água e cheia de impurezas, mas foi o que se pode arranjar.









Pelo estradão onde passava o Dakar seguimos até às grandes dunas, outro dos sítios mais estrondosos que vi. Uma imensidão de areia fenomenal.









Antes de chegar ao ponto certo, subimos a um morro onde tirámos uma panorâmica sobre a zona de Erg Chebi









Ao entrar nas dunas foi altura dos atascamentos, jipes cravados na areia, mas com mesmo muita areia, e passadas umas 2 horas tinha-mos atravessado as maiores e foi hora de almoçar num oásis no meio do deserto, colossal , até ali no meio das dunas apareceram vendedores de quinquilharia.









O guia da viagem foi Mobarek que foi comigo no Range, ele conhece as dunas como as palmas das suas mãos e não podíamos arranjar melhor e para além disso tinha muitas histórias para nos contar.









Como por exemplo que os habitantes de Merdani um povo abandonado se teriam mudado para Merzoga quando terminaram com os trabalhos nas minas de chumbo e cobre que fecharam.









Moberek explicou-nos como se anda nas dunas, as subidas, as descidas e etc. Avistámos famílias nómadas com camelos que nos disse que era normal aqui na zona.









Merzoga tem 2500 habitantes mas muitos deles estão espalhados por vários sítios.









O almoço foi no centro do oásis jemilos obera onde fizemos os nossos cozinhados e nos despachamos, pois eram 15.00 e o sol estava quase a pôr-se.









Ainda deu tempo para o Zé, o Idalécio e o João andarem uma volta de burro, e para um mini concerto de tambor. Muito bom.









Fizemos mais umas dunas e vi-mos uma das coisas mais bonitas do mundo, digna de ser vista a dois, por um casal de apaixonados, o Por do Sol no deserto.









Já de noite voltámos a Merzoga e fomos a uma cooperativa onde são produzidas peças feitas pelos habitantes locais. Compramos umas coisas, eu comprei um cachimbo Chicha e um punhal lindíssimo, no entanto bebemos mais um chá e fumámos uma chicha muito boa.









Comprámos todos uma gandora que é um simples vestido tradicional usado pelos homens locais.









O Jantar vai ser comida BEREBERE e vamos ter uma festa para nós.









Neste momento estamos todos vestidos com as gandoras e aguardamos o jantar.









Já jantámos um práto tipico Marroquino , ovos com umas almondegas, excelente.









Vamos ficar hoje até mais tarde, pois amanhã só nos levantamos às 09.h

Dia 01/11/2010

01/11/2010

Ontem ainda estivemos em conversa com o guarda do condomínio até às 24.h dentro da enorme tenda marroquina, è um rapaz desportista que conhece toda a nossa selecção de futebol e os nomes dos jogadores do Glorioso SLB.

Esta manhã ao acordar é que tivemos a noção do tamanho do local onde pernoitámos, é assim uma coisa fora do normal, equivalente a uns 10 campos de futebol.

Foi hora de verificar água e óleo das máquinas, pagar e fazermo-nos à estrada, são 07.00 da Manhã e temos mais 400km para fazer.

Ao sair do condomínio, dirigimo-nos a uma bomba de gasolina a fim de tomar o pequeno-almoço, uns croissants, sumos e cafés. 15 DH a cada pessoa mais ou menos 1,5€.

Ao sair em direcção à floresta dos cedros estavam a abastecer varias motas Honda Wing da Policia, às quais olhamos mas não ligámos muita importância.

Ao subir à montanha em direcção à floresta dos cedros entrámos para o seu interior e passados uns 5 ou 6 km encontrámos vários macacos a trepar os cedros.

O nosso instinto foi de parar e tirar fotos e quando o estávamos a fazer apareceu uma rapariga de braços no ar a chamar por nós.

Ao ver-mos a rapariga, pensámos que seria uma guarda local a informar-nos que não poderíamos estar ali, mas estávamos enganados, era uma portuguesa, de Vila Boim (Elvas) que estava ali a trabalhar no estudo de primatas, uma grande coincidência, pois alem de não ser normal ver-se portugueses nestas bandas.

Chamava-se Sofia e não via portugueses há 8 meses .

O Alacráu apresentou-se e foi ter com a rapariga para lhe dar 2 beijos e tirar umas fotos com a menina.

Depois das fotos dos primatas, decidimos Fazer-nos à estrada para mais uns km.

Passado algum tempo decidimos entrar nuns trilhos de terra batida e ir à descoberta do terreno, foi simplesmente lindo o percurso, pelo meio da floresta, pelo meio dos imponentes cedros e pelo meio do barro que também existe em Marrocos ao contrário de que muita gente pensa.

Foram 20 km por trilhos que só devem ter sido utilizados por marroquinos. Encontrámos algumas famílias com crianças a quem entregámos varias t-Shirts, uns pares de botas, brinquedos e material escolar, faziam 3 graus e dava pena ver os miudinhos naqueles sítios sem condições habitacionais e higiénicas.

Retomámos a estrada de alcatrão e mais 10 km estávamos perto de mais outro trilho. Não era esse o nosso objectivo mas lá decidimos fazer esse caminho.

No entanto antes da decisão estivemos a beber umas cervejas e o Fininho teve um ataque de “Caspa” e partiu a máquina fotográfica contra o chão, estava desvendado mais um segredo da casa dos segredos. (É segredo).

Fizemo-nos ao caminho, um trilho não imaginado por nós, uma coisa assim imaginável, sem explicação, fenomenal.

Circular por dentro de uma floresta cerrada de cedros cerca de 70km em terreno de pedra e barro, no interior de Marrocos é assim fora de serie.

Muitas fotos, lindas paisagens sempre em excelente companhia, uma beleza extraordinária.

A meio do caminho decidimos ir para o barro, eu no meu Range fui o primeiro a atascar-me, e lá foi o pinhão com o guincho buscar-me.

Ao largo estavam os Belgas, atascados até ao nó, mas mesmo até ao nó, só visto.

O Cardoso e o Caetano foram socorrer os rapazes e o restante pessoal foi para o cimo do cerro tirar fotos.

No entanto a demora foi tanta que nos dirigimos ao lical para ver o que se passava.

Não haviam condições para retirar o Toyota do local, os jipes a puxar com o guincho iam em direcção ao atascado.

Passados alguns instantes pedi ao Bruno o Belga para ir para o lugar dele, pois o KIT de unhas dele não estava muito apurado.

O pinhão puxou o carro eu fiz marcha atrás e lá tirámos o jipe do atasqueiro, mas o motor estava a falhar e a fazer um fumo branco, ainda tentei fazer ½ dúzia de peões mas não me safei porque estava mesmo muito mau mecanicamente.

Entrámos em estradão novamente e ao fim de 20 km almoçamos no meio da floresta, e o Toyota sempre a falhar.

Durante o almoço, inevitavelmente apareceram mais uns quantos marroquinos que nos pediram tabaco e bebida.

Depois do almoço regressámos ao alcatrão mas fizemos mais 50 km onde encontrámos mais famílias e lá distribuímos mais t-shirts das 200 que trouxemos.

Ao chegar ao alcatrão, o veículo dos Belgas estava a falhar novamente, abrimos o capot, vimos o que se passava não chegámos a conclusão nenhuma e fui experimentar o mesmo para ver o como estava, não estava nada bom.

Apareceram 2 Marroquinos, um professor e um director da escola local que se apresentaram e com os quais estivemos a conversar um pouco.

Viemos a saber que o ordenado de um professor é equivalente a Portugal ou seja 800€.

Distribuímos umas chuchas e brinquedos pelas crianças e bebés locais e seguimos para ER RACHIDIA onde chegámos muito de noite e pernoitamos.

Até ER RACHIDIA encontrámos cerca de uma centena de polícias espalhados um pouco por todo o lado, muitas, mas muitas pessoas na estrada e as tais Honda Goldwing da Policia com os pirilampos ligados, numa pequena localidade onde comprámos pão foi-nos dito que aquele aparato todo devia-se à passagem do Rei Mohamed V pela zona, facto que viemos a confirmar mais à frente com a passagem por a sua caravana.

Negociámos o preço do quarto do hotel e ficou em 100 Dirham ou seja cerca de 10€ cada pessoa.

Fechámos o negócio e fizemos as nossas refeições no corredor do hotel El Golla, uma coisa nunca vista, à filme.

Eram 02.00h quando o pessoal se foi deitar e dormir, pois haviam mais 150km até ao deserto para fazer no outro dia.