03/11/2010
O dia começou pelas 09.00, onde tomamos o pequeno-almoço berebere e nos fizemos à estrada para ir colocar gasóleo a Erfoud pelos estradões e depois para as dunas.
Teria sido um dia divertido como os outros não fosse ter acontecido o que aconteceu, mas isso explico mais à frente.
Chegámos a Erfoud pelas 10.00 onde atestámos as maquinas e tomámos café e também se levantou dinheiro.
O 1º Azar do dia foi o Fininho que ao levantar dinheiro a maquina lhe reteu o cartão. Mal menor uma vez que entrámos no banco e lhe deram o cartão novamente e no outro dia já podia levantar o valor pretendido.
Tudo atestado, hora de ir ao almoço. Tivemos tempo ainda de ir a um morro ver a panorâmica de Erfoud que é uma cidade já a sul de Marrocos onde existe de tudo um pouco. Uma vista soberba com uma imensidão de palmeiras fora do normal e um som que se faz ouvir por vários km, som esse proveniente das rezas feitas pelos muçulmanos que são difundidas por enormes megafones.
O almoço foi num kasbha de fosseis, pois esta zona é muito rica em fosseis. O dono é conhecido pelo nome de Dinossauro e tem um Defender de 9 lugares que utiliza para fazer passeios pelas dunas com os turistas.
Almoço pronto, hora de sentar e comer, para variar uns enlatados, não sei porquê decidi beber Ice Tea, o que não tem sido normal nesta viagem, pois tomamos sempre um copinho de vinho sem exageros.
Hora de ir para as dunas, ao nos dirigir para lá o inevitável aconteceu, apesar dos azares todos que já tinham acontecido, como a perda da carteira do Pinhão, a avaria do meu PC, os 3 pneus que o fininho descolou no dia anterior, o cartão retido e outras pequenas coisas, o azar maior chegou, não acredito em bruxas mas que as há, isso há.
Numa curva apertada, o Range resvalou e capotei, um acidente aparatoso sem consequências de maior para mim e para o João, bem como Mobarak que nos vinha a fazer de guia.
A velocidade que trazia não era elevada por isso só demos uma volta, mas foi o suficiente para que o Range ficasse feito num bolo, parecia ter sido amarrotado por um gigante.
Os nossos companheiros de viagem seguiram a correr em direcção ao carro para ver se estava tudo bem, eu já o tinha feito pois tinha-me assegurado que João e Mobarak estariam bem.
A minha perna estava a deitar muito sangue e o golpe parecia fundo, cerca de 15 cm de cumprimento.
Tive a consciência que a viagem desse dia terminaria ali e que os meus amigos deixariam de ir para as dunas por minha causa, mas são coisas que acontecem e não podemos fazer nada.
Fui de imediato para o posto médico de Erfoud com o Pinhão, o João e Mobarak, onde posso dizer que fui muito bem atendido e imediatamente. Um medico e um enfermeiro cuidaram de mim e do João, Mobarak não precisou de cuidados, pois é um homem franzino e o capotanço não lhe fez mazelas e também seria o seu 3º acidente deste tipo.
Entrei na sala de tratamentos, deram-me a anestesia e começaram a cozer-me de imediato, facto que deixou o Pinhão perturbado, pois pensou que me estariam a aleijar o que de facto não aconteceu.
Estava tão exaltado que o médico meteu-o na rua J . Após ser cozido fui medir a tensão e estava a 10/8, colocaram-me logo a soro. No entanto após isso fiz um RX ao joelho mas não acusou nada, apenas foi para descargo de consciência. Mandaram-me comprar uma injecção anti tetânica para me administrarem e mais uma carrada de medicamentos.
Paguei nas urgências 60 DH o equivalente a 6€, mas um serviço muito bom. O João levou 2 pontos e eu 10, fiquei com uma costura que parece a antiga estrada de Monte Gordo, só curvas e buracos, mas ficou sexy hehehe.
A essa hora já o Cardoso teria ligado para a assistência em viagem que prontamente mandou o reboque.
Cheguei ao pé do carro já era quase noite e o frio começou a apertar, pois no deserto de dia calor à noite frio, muito frio e estávamos no meio do nada, mas mesmo assim apareceu um rebanho de Marroquinos vindos do nada, não sei de onde vem tanta gente.
Mobarak queria comprar-me o Range, mas o artista do reboque tirou-lhe essa ideia da cabeça uma vez que depois não me deixavam passar a fronteira, mas mesmo assim não desistiu da ideia e disse-me que arranjava os documentos para deixar o carro. Não chegámos a fazer negócio, mas a minha vontade era deixar o carro cá.
Para que quem pensa que Marrocos é um pais sem evolução pode estar enganado, pois todos os putos têm telemóvel, aparecem perto de nós com portáteis ligados à Net e muitas outras coisas. Só para verem, ontem em pleno deserto Mobarak mandou um rapaz numa motorizada comprar um cartão para o telemóvel e o mesmo não levou 5 minutos a ir a uma barraca no meio do nada, só visto.
Retirámos uns 60 litros de Gasóleo do interior do Range e foi carregado para cima do reboque, uma imagem desoladora de quem vê partir um companheiro de viagem e saber que não nos viríamos a encontrar nestas andanças devido ao seu estado.
A maquina fotográfica também se partiu mas esta deverá ter arranjo.
Mas enfim antes isso que uma perna partida ou outra coisa pior, latas há muitas.
Regressamos ao Albergue de Takojt, pertencente ao nosso amigo Maborak e fomos jantar um Couscous, prato típico BEREBERE que faz lembrar um cozido, mas leva uma farinha muito boa.
Estive com o pessoal e decidi ir deitar-me para descansar um pouco, pois na noite anterior teria ficado sozinho até às 2 da manhã a ver as estrela no céu do deserto, mas eles ainda ficaram a tocar tambor e a beber uns copos e deu tempo ainda para embebedarem Joseph um marroquino que não está habituado a estas andanças e que se gregoriou todo.
O dia terminava ali e apenas posso pedir desculpa aos meus companheiros de viagem por lhes ter estragado alguma coisa.
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