02/11/2010
Acordámos às 05.30 da manhã, o duche estava sem pressão e quase não nos lavámos. O Sol nasce com uma intensidade enorme e temos que nos fazer à estrada o mais rápido possível.
Ainda foi tempo de o Zé ensinar umas palavras em Português a um gasolineiro Marroquino e palavras essas muito lindas hehehehe, foi uma barrigada de rir.
A meio do caminho em Oases de jorf foi tempo para uma paragem, para tomar um chã de hortelã com mel e tirar umas fotos ao palmeiral, é um local magnífico.
Dirigimo-nos a Midelt onde deixámos os nossos amigos Belgas que ficaram a arranjar a viatura e talvez depois virão ter connosco a Zagora.
No caminho, o João comentou comigo e com razão, os Marroquinos são pessoas que vivem única e exclusivamente para o seu Deus e são capazes de morrer por isso.
Seguimos mais uns 30 km e decidimos sair de estrada para apanhar uma paralela até Merzouga em estradão, e foi até deixar de ver mesmo alcatrão, alguns km à frente encontrámos finalmente as dunas eram 9.28h da manhã, uma imagem que fica na retina até ao fim das nossas vidas.
Parámos varias vezes para tirar as fotos e para brincar um pouco nas pequenas dunas como se fossemos crianças a brincar com a areia da praia.
Já no perto de Merzouga passamos num albergue e avistámos no quintal um Mitsubishi de competição, obvio que entrámos logo por ali dentro e ver o que se passava, era o Nani Roma mais um Piloto Brasileiro que vai este ano fazer o Dakar no Mitsubishi que estavam aqui para fazer testes.
Descemo-nos dos veículos, e eu dirigi-me ao Nani para o cumprimentar e os meus companheiros fizeram a mesma coisa, estivemos a conversar um pouco, pois afinal ele é meu colega, ambos somos pilotos, mas tal como ele me disse o meu carro tem muitos cavalos mas são todos velhos e sem dentes, o que gerou uma rizada geral.
Perguntei-lhe se seria possível colar um autocolante do TTBAVENTURA no Mitsu e ele respondeu imediatamente que sim e para o deixar estar.
Colei o autocolante, tiramos umas fotos juntas, outras com o carro e vimos a máquina ao pormenor.
Despedimo-nos dele e seguimos em direcção ao albergue do Mobarek o qual nos tinha sido recomendado pela malta dos jipes do Algarve.
Chegámos ao interior da aldeia e ac crianças jogavam-se para a frente do carro e tínhamos que parar, mas dirigiu-se um rapaz de cerca de 30 anos aos carros a falar bem Português a quem perguntámos pelo albergue. Foi muito amável e foi connosco ao local.
Um local espectacular como as 1001 noites dos filmes. Esperámos um pouco por Mobarek para saber os preços e entretanto bebemos mais um chá fez-nos 35€ por pessoa com dormida, Jantar e pequeno-almoço. Decidimos ficar 2 noites.
Tivemos apenas tempo de tirar as coisas dos carros e seguir para as tão desejadas dunas de Erg Chebi.
Antes de ir ainda tive de colocar gasóleo no jipe e o fininho também, fomos a uma casa improvisada que vende gasóleo em garrafões de 5 litros, parecia água e cheia de impurezas, mas foi o que se pode arranjar.
Pelo estradão onde passava o Dakar seguimos até às grandes dunas, outro dos sítios mais estrondosos que vi. Uma imensidão de areia fenomenal.
Antes de chegar ao ponto certo, subimos a um morro onde tirámos uma panorâmica sobre a zona de Erg Chebi
Ao entrar nas dunas foi altura dos atascamentos, jipes cravados na areia, mas com mesmo muita areia, e passadas umas 2 horas tinha-mos atravessado as maiores e foi hora de almoçar num oásis no meio do deserto, colossal , até ali no meio das dunas apareceram vendedores de quinquilharia.
O guia da viagem foi Mobarek que foi comigo no Range, ele conhece as dunas como as palmas das suas mãos e não podíamos arranjar melhor e para além disso tinha muitas histórias para nos contar.
Como por exemplo que os habitantes de Merdani um povo abandonado se teriam mudado para Merzoga quando terminaram com os trabalhos nas minas de chumbo e cobre que fecharam.
Moberek explicou-nos como se anda nas dunas, as subidas, as descidas e etc. Avistámos famílias nómadas com camelos que nos disse que era normal aqui na zona.
Merzoga tem 2500 habitantes mas muitos deles estão espalhados por vários sítios.
O almoço foi no centro do oásis jemilos obera onde fizemos os nossos cozinhados e nos despachamos, pois eram 15.00 e o sol estava quase a pôr-se.
Ainda deu tempo para o Zé, o Idalécio e o João andarem uma volta de burro, e para um mini concerto de tambor. Muito bom.
Fizemos mais umas dunas e vi-mos uma das coisas mais bonitas do mundo, digna de ser vista a dois, por um casal de apaixonados, o Por do Sol no deserto.
Já de noite voltámos a Merzoga e fomos a uma cooperativa onde são produzidas peças feitas pelos habitantes locais. Compramos umas coisas, eu comprei um cachimbo Chicha e um punhal lindíssimo, no entanto bebemos mais um chá e fumámos uma chicha muito boa.
Comprámos todos uma gandora que é um simples vestido tradicional usado pelos homens locais.
O Jantar vai ser comida BEREBERE e vamos ter uma festa para nós.
Neste momento estamos todos vestidos com as gandoras e aguardamos o jantar.
Já jantámos um práto tipico Marroquino , ovos com umas almondegas, excelente.
Vamos ficar hoje até mais tarde, pois amanhã só nos levantamos às 09.h
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